Madelaine Petsch concede entrevista a Nylon Magazine – Madelaine Petsch Brasil

Madelaine Petsch concede entrevista a Nylon Magazine

Publicado por camila

Binários parecem algo distintamente arcaicos nos dias de hoje, meios mal equipados de categorizar—muito menos entender—nosso mndo e as pessoas dentro dele. Mas, eu não deixaria isso me impedir de perguntar a Madelaine Petsch algo bem importante: Ela se vê mais como uma membra de culto ou como uma líder de culto?

“Membra de culto, com certeza.” Petsch me contou, sem hesitar.

“Não porque eu sou uma ovelha,” ela contou. “Eu não sou uma manada. Porém, eu não acho que tenho a personalidade carismática para fazer às pessoas me seguirem.”

Petsch me contou isso perto do fim de um longo dia juntos. Estávamos sentados em um sofá no fundo do estúdio fotográfico aonde a imagem dessa história tinha sido capturada; o estilista estava arrumando os cabides de roupas em tons de pedras preciosas; outra pessoa estava re-empacotando par depois de par de saltos altíssimos; outras pessoas estavam correndo ao redor, limpando mesas, enrolando cenários, tirando maquiagem e acessórios de cabelo brilhantes.

Nos sentamos longe da ação, mas nunca esteve incerto aonde o centro da gravidade estava; nem nunca esteve incerto quem era a estrela na sala.

Eu passei tempo o suficiente falando com Petsch para reconhecer que ela não estava sendo puramente auto-depreciativa, e estava, na verdade, sendo sincera quando ela disse que não achava que tinha o que era necessário para coagir pessoas a segui-la. Mas eu também tive que apenas olhar ao nosso redor para ser lembrada de quem na sala era a líder natural, e poderia facilmente amontoar legiões de seguidores. E, não é só que Petsch poderia amontoar legiões de seguidores, é mais que ela já tem: A partir deste escrito, Petsch já tem 16 milhões de seguidores no Instagram, assim como 4,6 milhões de inscritos em seu canal do YouTube, o qual se chama Madelaine Petsch.

Esses seguidores, ao menos uma parte, vem como cortesia do que Petsch é mais conhecida por: seu papel como Cheryl Blossom na extremamente popular série Riverdale. Cheryl não é exatamente a estrela da série; pelo contrário, Riverdale tem um par de estrelas binárias ao centro: Archie e Veronica, Betty e Jughead. E ainda assim, Cheryl parece que é o centro da série; ela que dá a série seu calor. E isso se dá em grande parte pela vívida interpretação da personagem de Petsch, a qual sua vida possa estar cheia de voltas e reviravoltas caricaturais, mas cuja credibilidade como uma pessoa real se mantém intacta graças ao claro comprometimento de Petsch ao papel.

“Eu diria que Cheryl é uma das minhas amigas”, Petsch me disse, explicando como ela aborda esse papel- e todos os outros. “É realmente incrível ser capaz de retratar outro ser humano dessa maneira-mesmo não sendo alguém real.”

A colega de cena, Camila Mendes, conversou comigo sobre o que faz a atuação de Petsch tão especial. Ela disse “Você não pode ser ‘meia boca’ para interpretar um personagem como a Cheryl e uma das inúmeras qualidades sobre a Madelaine representar a Cheryl, é que ela é dedicada. Ela desfruta dos abusos da personagem e nunca se esconde da qualidade.” E Mendes termina, “Então ela entrega esses momentos únicos de vulnerabilidade, o que torna a personagem muito mais complexa. Isso faz com que ela seja a favorita dos fãs. Seu trabalho é inesquecível.”

Outra razão para Petsch ser tão amada é a relação homoafetiva entre Cheryl e Toni Topaz (interpretada por Vanessa Morgan), o qual apenas não ganhou somente um enorme grupo de fãs mas Choni deixou claro o poder de Petsch na sua profissão, tendo habilidade para mudar vidas.

“A resposta que eu tenho das pessoas, me dizendo que a minha arte os permitiu que se assumissem para seus pais, ou os confortando tendo pais que não os aceitam,” Petsch disse “a parte mais gratificante de interpretar a Cheryl… muitas pessoas dizem sobre suas sexualidade por conta da minha personagem na série. Eu provavelmente nunca irei superar isso.”

É uma responsabilidade que Petsch leva muito a sério, mesmo Choni sendo uma casal da ficção, Petsch sabe que a relação entre Cheryl e Toni inspira inúmeros jovens, e ela ainda evitou brincar uma rodada de “Beijar, Casar, Matar” com as personagens Toni, Betty e Veronica, para que os fãs não se chateassem com suas escolhas.

Isso talvez soa como um exagero- alias, BCM é apenas um jogo e essas personagens não são reais. Ninguém nunca pensaria que Petsch realmente mataria alguém, certo? Bom, errado. Por causa de Riverdale, fãs são realmente devotos e essa foi a maior inspiração para que ela criasse seu canal no YouTube, mostrando para o mundo que Madelaine Petsch não era Cheryl Blossom e que Cheryl Blossom não era Madelaine Petsch.

E o canal de Petsch nasceu sendo diversos vídeos para que seus seguidores vissem o quão diferente ela era da manipuladora Cheryl, mas se tornou algo natural. Com Petsch descobrindo sua afinidade, não apenas se comunicando com a audiência mas também na filmagem e edição entre os vídeos.

Enquanto Petsch dizia o que Riverdale vem proporcionando para ela- “Eu não acho que tenha um dia no set que eu me sinto trabalhando… É como um parquinho criativo cheio de pessoas apaixonadas por aquilo que fazem. Isso é muito legal”– ela ainda diz que se ela não fosse atriz, ela amaria trabalhar como editora, por causa da diversão que ela tem editando seus vídeo que ela posta toda quarta-feira em seu canal.
E claro, não apenas vídeos que ela está construindo com suas edições, mas também uma Madelaine Petsch– ou melhor, a personagem Madelaine Petsch, a qual é e não é a mesma coisa que a real Madelaine Petsch.

“Eu fico tipo, ‘Quem é a Madelaine?” Petsch me disse após eu perguntar o que ela gosta de compartilhar com o público. Petsch explicou que tem certas coisas que ela nunca revela: “Minha casa. Muitas pessoas ficam tipo ‘Eu quero um tour pela sua casa,’ e eu fico tipo ‘Esse é o meu porto seguro’- especialmente minhas casas em Vancouver e em Los Angeles.” Ela continuou listando que é muito privado para compartilhar: “Minhas amizades… minha família. Você nunca verá meus pais ou meu irmão no meu canal no YouTube.”

E Petsch diz, que existem coisas que foram uma vez mas que não são mais confortáveis para se compartilhar: “Meu namoro (com o músico Travis Mills). Eu costumava a compartilhar muito sobre isso, mas agora não, pessoas assumem que não estamos mais juntos. Mas na realidade, eu percebi que é mais especial e seguro se eu não compartilhar muito.”

Invés de vinhetas da sua vida, seu canal no YouTube é popular por vídeos engraçados e interessantes. Pelo design, eles oferecem a ilusão de intimidade, com nenhuma vulnerabilidade. “O que eu amo no Youtube é que eu tenho o controle criativo. Eu não preciso necessariamente me proteger, é por isso que eu tenho total controle das histórias que me rodeiam.”

Mas dizer que o controle de Petsch sobre suas histórias é evidente, seria errado dizer que não é também revelador, porque histórias são facilmente contadas via omissão. E por necessidade, Petsch omite muito. Durante todo o dia que passamos juntos, incluindo o tempo que passamos nesta entrevista, Petsch era filmada por sua amiga, Taylor, para que ela tivesse um material para um por trás das câmeras para seu canal no YouTube.

Tem coisas que ela tira da lista para seu canal: sua família, suas amizades, sua casa e seu namoro. Então, o que sobra para incluir em seus vídeos? Basicamente, Petsch em si. Mas em suas próprias palavras: “Quem é Madelaine?”

Ouvir Petsch falar sobre todas as diversas coisas que ela precisa ser cautelosa, me fez imaginar o quão exaustivo deve ser sempre ser questionado sobre o que você faz ou diz, para que suas ações e palavras não sejam má compreendidas. Eu a perguntei se esse tipo de consciência nunca pareceu como um fardo, sempre se politizando para não dizer algo errado.
Mas a resposta de Petsch foi rápida. “Eu preferiria estar em um lugar onde teríamos que ser conscientes socialmente do que um lugar totalmente livre onde não haveria consequência para algo que inflija fisicamente, emocionalmente ou verbalmente nos outros.”

“Como o movimento #MeToo, eu tenho certeza que assusta muitos homens agora e que eles provavelmente são mais cautelosos no que fazem,” Petsch diz. “Mas na realidade, eles deveriam. Eu me sinto muito envolvida com isso. Quando isso apareceu, eu vi muitos homens tweetando ‘Oh Deus, agora teremos que ser cuidadosos,’ ou sei lá. E é honestamente como você, você deveria ser sempre cuidadoso.”

“Eu estou feliz em estar em um lugar que somos conscientes do que fazemos, somos mais cuidadosos, pois devemos ser mais respeitosos com os outros… Eu estou realmente muito orgulhosa e honrada de ser parte dessa geração que as pessoas estão deixando os outros fora de suas merdas.” Ela pausou e continuou: “Eu não sei se estou autorizada para xingar mas tanto faz.”

O começo do movimento #MeToo foi um momento fundamental para Petsch. Foi no final de 2017 e Riverdale tinha começado sua segunda temporada, ela estava em um novo lugar para sua visibilidade pública e faria total sentido se ela não entrasse nessa conversa. Mas não foi isso que Petsch fez. Ao contrário, com um Tweet, ela expressou sua solidariedade com aquelas que sofreram a experiência de violência sexual.

“Eu acompanhei o movimento #MeToo. Eu acho o que as pessoas não entendem é que esse movimento não está relacionado apenas a indústria e sim, qualquer agressão física. Esse movimento foi grande e incrível para o empoderamento feminino para se erguerem e ficarem tipo ‘Isso aconteceu comigo também.’ Isso junta todo esse grupo de mulher de diversas partes do mundo em uma linda forma. Digo, é triste que isso acontece mas ao mesmo tempo, o fato de podermos possuir isso é enorme.”

Pode ser difícil perceber que os limites da vida pessoal não esbarram nas coisas que consideramos privado. Isso também é um motivo para que Petsch alerta sobre ir a terapia, e como ajudou ela superar a ansiedade social e os ataques de pânico.

“Eu não sabia como isso era, mas eu tinha ataques de pânico horríveis bem antes de entrar em Riverdale. Então, eu comecei a ter ansiedade, e eu só consegui entender essas coisas e trabalhar nisso com terapia. Eu não estou dizendo que trabalhei tudo que precisava mas apenas ser capaz de entender e identificar é o primeiro passo. Eu só podia ter feito isso com terapia. Então eu entendo que talvez as pessoas pensam que há um tipo de estigma em volta da terapia, mas tipo, converse com a sua mãe, com seus amigos.”

“Saúde mental é muito importante para mim, e eu estou tão feliz em ser parte de um grupo de mulheres com o cast de Riverdale que falam tão abertamente sobre isso. Se eu estou tendo um dia ruim e eu sinto que minha ansiedade está no local, eu ligarei para Camila Mendes e eu vou para sua casa, vamos comer algo e conversar sobre todos os meus problemas até que isso tudo saia.”

Com uma comunidade que consiste em um grande número de fãs, a mensagem que Petsch e seus colegas de trabalho tentam passar é: lembrar que você não está sozinho, lembrar que ninguém é perfeito e você não precisa ser também.

Essa ultima parte é algo que Petsch relutou por um tempo, ela disse, até que ela apareceu com o fato que arte- e vida- são em si, confusas. “Eu não acho que perfeccionismo e artes podem estar na mesma sentença, mas eu não estava consciente isso quando comecei… não necessariamente com Cheryl, mas mais com Madelaine como pessoa- tipo, minha vida tem que ser perfeita. Mas eu percebi que não tem vida perfeita. Minha vida certamente está longe disso. Não existe isso de arte perfeita e artista perfeito.”

Talvez seja engraçado pensar que quanto mais distante Petsch fica de tentar obter essa perfeição como artista, mais ela controla a imagem de, essencialmente perfeita, Madelaine Petsch, em particular. É como aquelas dúvidas binárias que demanda uma escolha- ser isso ou aquilo, ser a personagem ou a pessoa, líder ou seguidor, mas nunca os dois.  Mas o que Petsch tem mostrado é que aquelas antigas dúvidas são inadequadas para entender as coisas como elas estão agora, e isso engloba particularmente a concepção do que é público e do que é privado.

Então sim, pode ser um pouco estranho que Petsch pode mostrar perfeitamente a transição entre ser ela e ser Madelaine Petsch, o que torna libertador, um modo de conhecimento que é verdade apenas por um lado.

Petsch sabe perfeitamente como ela vai continuar usando sua voz em serviço daquelas histórias que ainda são indeterminadas. Mas que será dela- e pessoas escutarão as diversas coisas que Madelaine tem para dizer.

 

Fonte: Nylon Magazine

Tradução e Adaptação: Madelaine Petsch Brasil